clipsahoy.com
Ia toda preparada para espetar a seringa nos olhos do enfermeiro...
Desculpem a introdução.
Passo a contextualizar. Porque não sou nada hipocondríaca fui, porque sim, pedir análises ao meu médico. Espera aí... não o posso chamar de meu médico. Afinal de contas eu sou o que se chama uma beneficiária "sem médico". Ah sim, e digam sempre sou "beneficiária sem médico" e nunca "não tenho médico". Ou ainda se arriscam a ouvir de uma senhora muito carrancuda a correcção à expressão. Mas avançando... O Shor Dr era muito simpático. Algo que até nem estava a contar tendo em conta a centena de pessoas "sem médico" na sala de espera, fora as centenas de pessoas à espera só para pedirem uma credencial, receita, baixa, atestado ou sei lá que mais. Depois de expor todas a minhas dúvidas acerca de questões fisiológicas que prefiro não abordar aqui (vão-me perdoar os seguidores:P) o médico passou os exames e umas análises.
O papão das análises!!!! Vem-me logo à cabeça que lá terei eu de pedir ao(à) enfermeiro(a), que me calhar no laboratório, para tirar sangue deitada. O que normalmente corresponde a um olhar de desdém como quem diz "não há pachorra para estas mariquices". E depois há aqueles que insistem em fazer a colheita comigo sentada e que no final se queixam porque me tiveram levantar do chão quando nele caí inanimada. A esses só lhes digo, depois de acordar e a ganhar um tom de pele que não o branco ou o transparente, "eu avisei que desmaiava".
Mas lá fui eu cheia de coragem. Tiro a senha. Um senhor com ar de enfermeiro pede se pode ver a receita. "Com certeza que sim", digo eu a sorrir. "A senhora está em jejum?". "Não". Pois... então não posso fazer a colheita". E vira costas para dentro da sala com a receita na mão. "Mas, mas, mas... eu estive aqui há uns dias para saber se era necessária alguma preparação e disseram-me que não". Lá se vira e responde "Não pode ser minha senhora. Se calhar foi no piso debaixo que lhe disseram isso e não se lembra". "Foi aqui tenho a certeza." Quem disse que era preciso uma bateria de exames e um médico especializado para chegar a um diagnóstico de doença de memória. Pois não é!! Fiquei chateada... muito agravada mas respirei fundo, contei até dez e desfilei sob um céu azul, sol brilhante e sobre uns sapatos de 10cm fantásticos.
Voltei lá. Em jejum, meia zonza (porque a pessoa é fraquinha e precisa dum açúcarzinho no sangue mal acorda) lá chego. Tiro a senha. Acabei por escolher o laboratório do R/C. Não fosse aparecer-me o dito enfermeiro (do piso1) e dizer-me: " Está em jejum?". "Estou sim senhor". "Para esta análise não era preciso minha senhora". E então aí sim... pegava na seringa mais próxima e espetava-lha nos olhos!!! Nos dois aos mesmo tempo com a agulha ao atravessado.
Mas não foi preciso... Enquanto pagava reparei nos sapatos lindíssimos de uma enfermeira. Tão fofinhos... Biqueira semi-redonda com um laço em todo o seu esplendor. Veio ter comigo. Soltei a minha deixa "Tenho que tirar sangue deitada" olhando para a enfermeira com um ar de cachorrinho. "Claro que sim, minha querida. Entre nessa sala que já vou ter consigo.". Instalo-me na maca. Entra a enfermeira. Já ao meu lado a segurar-me o braço pergunta se costumo ficar maldisposta. Quando respondo que sim, não me vem com aquelas teorias que já estou cansada de ouvir, e que supostamente explicam porque me acontece tal fenómeno. Em vez disso diz "Upa", enquanto me levanta o braço e coloca o garrote. Adorei, adorei, adorei!!!! Que coisa tão fofinha de se dizer. Como se eu fosse uma miúda de 5 anos. E sou. No momento de tirar o sangue não me sinto mais crescida, mais esperta ou mais corajosa que uma miúda de 5 anos. E pela primeira vez houve uma enfermeira que percebeu isso. Uma enfermeira empática, fofinha e carinhosa. Aliás, só podia ser com aqueles sapatos calçados.
Adoro a minha enfermeira fofinha de laço no pé
A raposinha escreve aqui muito mais do que aquilo que pensa...
ResponderEliminar