sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mais que Adoro o meu Ursinho Leal


Lembram-se dos ursinhos carinhosos? Eu lembro tão bem. Tinha o meu preferido. Um cor de laranja, com um coração vermelho desenhado na sua redonda barriguita e umas asinhas brancas fofinhas. Tinha por volta de 10 anos quando os meus pais me ofereceram o ursinho de peluche que tão bom foi para mim. O meu ursinho ficava na minha cama de ferro, entre uma centena de camas, da camarata onde dormia no colégio interno. Ficava o dia todo encostado na almofada ao centro da cama, a olhar em frente à minha espera. Esperava 12 horas que eu voltasse. Mas não se zangava. Quando eu chegava, lá estava ele contente por me ver, desejoso por receber o meu mimo e ansioso por retribuir com muito amor. Momentos antes de adormecer, depois de lavar a cara e os dentes e vestir a camisa de dormir (eram proibidos pijamas), enchia o meu ursinho de festinhas, apertava-o o mais que conseguia e até lhe dava uns beijinhos repenicados. Ele adorava e depois ficava a ver-me adormecer. Quando a meio da noite eu acordava com um pesadelo ele continuava a olhar para mim com o seu ar tão carinhoso e eu voltava a adormecer. De manhã lá estava ele. E nem se mostrava importado pelos encontrões a meio da noite, o meu leve ronronar de princesa ou de por lhe ter roubado o lençol durante a noite.
Aquele ursinho foi-me presenteado numa altura tristinha da minha vida (conselho: não ponham os vossos filhos em colégios internos) mas sorriu sempre. Aquele sorriso tão meigo, sincero e carinhoso viu desabrochar, voltar a sorrir e voltar a viver uma menina que tinha andado perdida.
Guardei o meu ursinho carinhoso, durante anos, dentro de um saco no fundo do armário. Mais tarde procurei por ele nos sítios mais óbvios e cheguei a procura-lo em armários que nunca deveria ter aberto.
Um dia, uma mensagem inesperada, voltou a pôr-me frente a frente com o ursinho. Lá estava ele... não se mostrou chateado por ter esperado tantos anos. Olhei nos olhos castanhos e brilhantes do ursinho. Espelhavam o desejo do ursinho de voltar a ser amado e a sua vontade de amar incondicionalmente. A barriguinha era a mesma. Dando números à intensidade dos seus sentimentos, eu diria que o ursinho comportava 100kg de mimo e 1,90m de paixão.
Não me importei que os outros me dissessem que era só mais um ursinho. Eu sabia que não era. Porque não é. 
É o meu Ursinho Leal... Aquele que esteve sempre por perto. Eu é que andava a procurar nas gavetas erradas:)
Mais que Adoro o meu Ursinho Leal

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Adoro a minha enfermeira fofinha de laço no pé

clipsahoy.com

Ia toda preparada para espetar a seringa nos olhos do enfermeiro... 
Desculpem a introdução.
Passo a contextualizar. Porque não sou nada hipocondríaca fui, porque sim, pedir análises ao meu médico. Espera aí... não o posso chamar de meu médico. Afinal de contas eu sou o que se chama uma beneficiária "sem médico". Ah sim, e digam sempre sou "beneficiária sem médico" e nunca "não tenho médico". Ou ainda se arriscam a ouvir de uma senhora muito carrancuda a correcção à expressão. Mas avançando... O Shor Dr era muito simpático. Algo que até nem estava a contar tendo em conta a centena de pessoas "sem médico" na sala de espera, fora as centenas de pessoas à espera só para pedirem uma credencial, receita, baixa, atestado ou sei lá que mais. Depois de expor todas a minhas dúvidas acerca de questões fisiológicas que prefiro não abordar aqui (vão-me perdoar os seguidores:P) o médico passou os exames e umas análises. 
O papão das análises!!!! Vem-me logo à cabeça que lá terei eu de pedir ao(à) enfermeiro(a), que me calhar no laboratório, para tirar sangue deitada. O que normalmente corresponde a um olhar de desdém como quem diz "não há pachorra para estas mariquices". E depois há aqueles que insistem em fazer a colheita comigo sentada e que no final se queixam porque me tiveram levantar do chão quando nele caí inanimada. A esses só lhes digo, depois de acordar e a ganhar um tom de pele que não o branco ou o transparente, "eu avisei que desmaiava". 
Mas lá fui eu cheia de coragem. Tiro a senha. Um senhor com ar de enfermeiro pede se pode ver a receita. "Com certeza que sim", digo eu a sorrir. "A senhora está em jejum?". "Não". Pois... então não posso fazer a colheita". E vira costas para dentro da sala com a receita na mão. "Mas, mas, mas... eu estive aqui há uns dias para saber se era necessária alguma preparação e disseram-me que não". Lá se vira e responde "Não pode ser minha senhora. Se calhar foi no piso debaixo que lhe disseram isso e não se lembra". "Foi aqui tenho a certeza." Quem disse que era preciso uma bateria de exames e um médico especializado para chegar a um diagnóstico de doença de memória. Pois não é!! Fiquei chateada... muito agravada mas respirei fundo, contei até dez e desfilei sob um céu azul, sol brilhante e sobre uns sapatos de 10cm fantásticos. 
Voltei lá. Em jejum, meia zonza (porque a pessoa é fraquinha e precisa dum açúcarzinho no sangue mal acorda) lá chego. Tiro a senha. Acabei por escolher o laboratório do R/C. Não fosse aparecer-me o dito enfermeiro (do piso1) e dizer-me: " Está em jejum?". "Estou sim senhor". "Para esta análise não era preciso minha senhora". E então aí sim... pegava na seringa mais próxima e espetava-lha nos olhos!!! Nos dois aos mesmo tempo com a agulha ao atravessado.
Mas não foi preciso... Enquanto pagava reparei nos sapatos lindíssimos de uma enfermeira. Tão fofinhos... Biqueira semi-redonda com um laço em todo o seu esplendor. Veio ter comigo. Soltei a minha deixa "Tenho que tirar sangue deitada" olhando para a enfermeira com um ar de cachorrinho. "Claro que sim, minha querida. Entre nessa sala que já vou ter consigo.". Instalo-me na maca. Entra a enfermeira. Já ao meu lado a segurar-me o braço pergunta se costumo ficar maldisposta. Quando respondo que sim, não me vem com aquelas teorias que já estou cansada de ouvir, e que supostamente explicam porque me acontece tal fenómeno. Em vez disso diz "Upa", enquanto me levanta o braço e coloca o garrote. Adorei, adorei, adorei!!!! Que coisa tão fofinha de se dizer. Como se eu fosse uma miúda de 5 anos. E sou. No momento de tirar o sangue não me sinto mais crescida, mais esperta ou mais corajosa que uma miúda de 5 anos. E pela primeira vez houve uma enfermeira que percebeu isso. Uma enfermeira empática, fofinha e carinhosa. Aliás, só podia ser com aqueles sapatos calçados.

Adoro a minha enfermeira fofinha de laço no pé

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Adoro o "Filipe 5 minutos e estou cansado"

  oespirita.wordpress.com

Pega em meia tonelada de um saco cheio da minha roupa. O volume do saco na ssuas costas só deixam ver parte das pernas. A visão de trás é hilariante. Vemos o esforço notório mas ele segue lançado. Sobe dois andares de escada, entra em casa posa o saco no chão. "Aposto que trabalhei mais agora do que vou trabalhar amanhã. Tem dias em que só trabalho 5 minutos... e o meu trabalho é leve." Gosto tanto das pessoas que não se fazem de coitadinhas e que assumem com grande lata e muito humor os bons empregos que têm.

Adoro o "Filipe 5 minutos e estou cansado"

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Adoro os portageiros que lançam sorrisos

 lyved.com

Sabem porque não me importo de pagar portagem? Porque, de vez em quando, nos aparece um portageiro que parece imune a 8 horas de vento e frio. Porque nem todos olham só para a palma da nossa mão. Existem os bons que nos olham nos olhos e nos lançam um simpático sorriso.

Adoro os portageiros que lançam sorrisos

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Adoro o Marinho pescador . Ou será cozinheiro??


Talvez não devesse dizer isto de forma tão aberta e pública, não vá a esposa não gostar ;). Quem diria que com 29 anos iria adorar um homem de 55 anos??? Mas adoro. Estão sem fome porque o amor não vos assiste? Sem fome porque vos morreu o passarinho? Sem fome porque o vosso chefe foi injusto com vocês? Sem fome porque acabaram de lanchar? Não importa a razão de não ter fome, porque com o Marinho dá sempre vontade de comer mais e mais. Um homem como eu gosto, o Marinho. Conversas interessantes, histórias de tempos em que não era nascida e acima de tudo um homem que sabe como mimar uma mulher. Sim, falo abertamente sem esconder a ninguém... Eu e o Marinho temos um sério caso de amor pela comida. Comidinha caseira, peixe do mar (muitas das vezes pescado por ele), bacalhau de fricassé, gambas al guilho, pescadinhas de rabo na boca, mãozinhas de vaca com feijão, bifes à portuguesa, saladinhas temperadas com limão, bifanas repletas de alho acompanhadas com fruta cortada, queijinho de cabra, frutas e hortaliças vindas e apanhadas no Penteado. Até um prato como a "comida de putas" toma uma nova dimensão... batatinhas novas fritas cortadas em palitos toscos, a bela da salsicha só aquecida na própria lata, o ouvinho estrelado caseiro e e e umas fatias de presunto serrano. Até pode ser comida das ditas senhoras, mas para ser que sejam senhoras de luxo. O Marinho é assim. Um cozinheiro caseiro que dá novo significado aos pratos mais tradicionais. E o melhor é que naquelas longas horas em que me debato com os pratos que ele enche aqui à afilhada (como carinhosamente me trata) esqueço que o amor não me assiste, que me morreu o passarinho, que o meu chefe foi injusto comigo ou que acabei de lanchar.

Adoro o Marinho pescador. Ou será cozinheiro??

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Adoro o meu avô Alberto

 marciabaldwin.artspan.com

Não acredito em coincidências. Sim, é verdade!!! Mas por vezes exagero. Enquanto tirava  o meu curso universitário, onde passei o tempo a falar de tomates e couves, comecei a desconfiar que talvez aquela não fosse a minha praia. Porém, os anos foram passando e quando olhei para mim estava de camisa branca aos folhos de renda, de calções pretos pelo joelho, sabrinas de plástico, uma capa cravada de emblemas universitários (acho que até tinha o da Super Bock apesar de detestar cerveja) e um malmequer de peluche no braço a ser acenado no meio de milhares de finalistas na Benção de Finalistas. Depois perguntavam-me que área gostava de seguir. Tentava, bem no fundo do meu cérebro ,dar uma resposta com alguma coerência. Eu dizia: "Tomates!!! Eu quero é trabalhar com tomates" e para tornar a coisa mais realista explicava às pessoas que desde pequenina que gostava de tomates. "Raposinha, queres vir com o avô à horta?" Perguntava-me o meu avô no quintal. Em segundos estava junto dele de enxada na mão pronta para a lavoura. Como eu gostava de estar com o meu avô... Apesar da sua perseguição constante para que eu não andasse pelo quintal sem cuecas com o pipi, ou a passarinha como ele dizia, à mostra (hummm começo a ver aqui um precedente). "Ó pariga" Dizia ele para a minha mãe, "vai vestir umas cuecas à menina que anda com a passarinha à mostra. Rebéubéu rebéubéu. Que desenvergonhice". Mas apesar do meu avô não me dar toda a liberdade que eu queria eu adorava estar com o meu avô. Era capaz de ficar tempos infindáveis só a vê-lo cortar pão duro às fatias, com a sua navalhinha. Eu esperava, esperava. Era como se o brilho da lâmina me encantasse. No final vinha a melhor parte... íamos dar comer aos coelhinhos. Tão fofinhos e macios. E quando haviam bebés?? Aí então era a loucura. "Pipipipipipipipi". Chamava assim as galinhas o meu avô. Eu repetia de milho na mão "pipipipipi". E elas vinham. Vinham as vaidosas das mais peludas, as de pescoço careca mais alternativas, as "cócós" sempre com os pintainhos atrás e depois o "Chico", o dono daquele harém de penas. Então e os tomates onde entram nesta história??? Por vezes quando chegava a casa já o meu avô tinha estado na horta. No quintal havia uma mesa grande com dois bancos corridos de madeira, feita de tábuas gamadas nas obras, por baixo da sombra de uma videira. Eu era pequenina de forma que o meu campo visual não alcançava toda a superfície da mesa. Mas alcançava as beiras. E o meu avô Alberto sabia disso. Eu chegava e vislumbrava logo na beira da mesa uns quantos tomates maduros acabados de apanhar. O cheiro dava para sentir no portão. Então eu pegava num a um e deliciava-me... Bem vermelhos, agridoces e ainda mornos do Sol. Estranhamente só quando acabava é que o meu avô aparecia e questionava sempre "Mas onde estão?? Raposinha viste os tomates que deixei aqui?". Até parecia que tinha estado escondido a ver-me deliciar com os tomates. Eu olhava para ele inclinava a cabeça, fazia a espécie de um sorriso maroto e ele ria para mim. O meu avô não era rico, nem lá perto, mas tinha um prazer enorme de me poder dar o que de melhor fazia com o trabalho dele. E isso, valia mais que muitos milhões de escudos. Existem duas opções de lição para o que meu avô queria transmitir com esta cena. Ou era "Tem os tomates sempre à mão" ou "Dá sempre o melhor de ti às pessoas que amas. Ainda que aos olhos dos outros possa parecer muito pouco, aos olhos da pessoa a quem o dás vai valer uma recordação para a vida". Eu acredito que seria a segunda...

Adoro o meu avô Alberto

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Adoro a minha colorista desgrenhada

zonamulher.com
 
Há dois Natais atrás decidi voltar às minha origens e fui do Barreiro até Algés para ir pintar o cabelo num cabeleireiro. Não, não julguem que é um salão conceituado mas pode-se dizer que é muito falado. É uma espécie de fast food dos cabeleireiros. Dentro de uma cave que não tem mais de 80m2 cabem 25 profissionais. O salão está dividido por especialidades: a coloração, o brushing, o corte e a estética. Cheguei e fui encaminhada para a Teresa. Uma senhora de quem me lembrava de conhecer quando em pequena a minha tia lá me levou para me fazer um Bob de franja pesada ,que me fazia parecer ter 16anos em vez dos 6 que tinha nessa altura. Disse-lhe que estava cansada de ser ruiva e que queria ficar loira. "Muito bem. Mas digo-te já que não vais sair daqui loira como pretendes". E assim foi. Fui ficando cada vez mais loira de cada vez que visitava a Teresa. Numa das vezes perguntou-me quando me casava. Começou logo a fazer planos para o penteado e de cada vez que me punha a prata na testa parecia fazê-lo de forma milimétrica tendo em mente o tal penteado. Voltei lá no Sábado com uma amiga, cujo cabelo gritava socorro há muito tempo. Eu sabia que ela ia notar que voltara a ser ruiva. Os seus olhos perguntaram. E eu respondi: "Separei-me... precisei de mudar.". Ela fez uma expressão compreensiva e disse: "Antes agora que depois. Sabes que da última vez que cá estiveste, em silêncio , foi isso que me transmitiste". Lembrava-me bem do dia a que ela se referia e relembrei a tristeza de sentimentos dessa data. Claro que percebeu... era demasiado óbvio. Mas do cabelo não me falou. Volto sempre lá porque faz sempre o que lhe peço mas mais porque sabe, sem saber, o que vai dentro de mim...
 
Adoro a minha colorista desgrenhada